AMEIXOEIRA

   A norte de Lisboa, a Ameixoeira é a última freguesia do concelho de Lisboa, na saída oeste, em direcção à cidade de Loures.

   Tendo pertencido ao termo de Lisboa, passou a fazer parte do concelho de Olivais pelo decreto de 11 de Setembro de 1852, sendo mais tarde novamente incluída, juntamente com outras do concelho de Olivais, na cidade de Lisboa 18 de Julho de 1885).

   A antiga freguesia de Nossa Senhora da Encarnação ( antigamente Nossa Senhora do Funchal) era cort. da apr. do prior do Lumiar, passando depois a ser da apr. da Irmandade do Santíssimo da mesma freguesia da Encarnação, no termo de Lisboa.

   A sua igreja paroquial foi edificada anteriormente a 1500 e a sua reedificação data de 1664 e a freguesia foi constituída em 1535 ; parece que nesta data passou a ser invocada a Nossa Senhora da Encarnação, em vez de Nossa Senhora do Funchal, como era até então.

   Em 1742, o Padre João Baptista de Castro escreveu que a Ameixoeira provém, conforme alguns, de AMEIJOEIRA, denominação que nasceu da grande quantidade de ameijoas-fósseis que no sítio apareciam e aparecem. Estes cerros são certamente a sublevação metamórfica de bancos submarinos.

   Pinho Leal dá a designação de que um   Mouro chamado Mixo ou Mixio dera o nome a esta povoação, que até ao século XVIII se chamava MIXOEIRA tendo antes o nome de Funchal.

  AMEYJOEIRA ou MEXOEIRAdiz Padre Luís Cardoso - lugar na província da Extremadura, patriarcado e termo da cidade de Lisboa : traz a sua etimologia do nome de um mouro chamado Mixo, que aqui habitou.

   Consta isto de umas memórias que fez António Borges Ribeiro, sendo escrivão da mesa de Nossa Senhora da Encarnação, que se conservam no cartório da igreja.

  Está situada em planície a maior parte, e a outra na encosta de um monte, que lhe fica para Leste, e do Poente fica em alto, que acaba na Estrada Nacional de Carriche; do Norte tem a campina, que faz a serra da Ameixoeira, que lhe fica inferior ; e do Sul continua a mesma planície até além do lugar do Lumiar, a que se chama vulgarmente a Várzea da Ameixoeira, e é de menos largura.

  A sua elevada situação lhe comunica uma alegre vista, que se dilata até mais de duas léguas, e o faz ser mais salutífero, que há no termo de Lisboa da qual dista  pouco mais de uma légua para o Norte. Desta parte lhe fica a Póvoa de Santo Adrião, que não se descobre, por estar situada em lugar baixo : ao Norte o lugar de Odivelas, e ao Oes-sudoeste o Paço do Lumiar, ao Sudoeste o Lumiar, que todos se descobrem; e para Leste lhe fica o lugar da Charneca, que em razão de sítio se não descobre.

 

in (1981) Ameixoeira - ciclo A Arquitectura e a cidade de Lisboa. 

Centro Nacional de Cultura. p. 24