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No século XVI constituiram-se em
Paris e em Roma as primeiras associações da classe musical sob a égide de Santa
Cecília. Alguns anos depois, em Inglaterra, instituiu-se um concurso anual, premiado pela
corte, dando origem à criação de Odes literárias e musicais a ela consagradas
por compositores tão ilustres como Henry Purcell, Haendel e, já no nosso tempo, Benjamim
Britten.
EM PORTUGAL
Embora se encontrem referências mais remotas, o primeiro estatuto da Irmandade de Santa Cecília data de 1603.
Instalada primitivamente no Convento do Espírito Santo da Pedreira, que ficava situado no local em que hoje vemos os Armazéns do Chiado, foi transferida mais tarde para a antiga Igreja de Santa Justa, situada então na actual rua dos Fanqueiros, em Lisboa.
A fama desta Confraria ía crescendo de ano para ano devido, principalmente, ao brilho com que realizava a festa da sua padroeira.
D. João V foi um dos seus mais desvelados protectores o mesmo acontecendo com seu filho D. José I. A terrível catástrofe de Novembro de 1755, obrigou a Irmandade a procurar outras instalações vindo a fixar-se definitivamente, em 1787, na reconstruída Igreja dos Mártires, onde ainda hoje se encontra.
Depois das vicissitudes motivadas pelas invasões francesas e pela guerra civil que se lhes seguiu, as festas em honra de Santa Cecília readquiriram o seu antigo esplendor (testemunhado eloquentemente por William Beckford nas suas célebres cartas).
Consideradas por essa época como um dos maiores acontecimentos artísticos da vida musical de Lisboa, facilmente se adivinha como era exígua a Igreja dos Mártires para acolher todos quantos ali acorriam. Magnífico incentivo para os nossos compositores, lá foram dadas a ouvir obras de Marcos de Portugal, Leal Moreira, João de Sousa Carvalho, João Domingos Bomtempo e, dos compositores oitocentistas : Joaquim Casimiro, Santos Pinto, Guilherme Cossoul, Augusto Machado e muitos outros. Era assim, já passados os meados do século XIX, que entre nós se festejava esse dia particularmente caro a todos os músicos.
Em Paris
Também em Paris a data era solenemente assinalada na Igreja de Santo Eutásquio, havendo a tradição de todos os anos se fazer a primeira audição de uma missa escrita expressamente em honra de Santa Cecília.
Haendel, Haydn, Gounod, César Franck, Ambroise Thomas, Saint-Saens, figuram entre os mais famosos autores de missas Cecilianas.
Na Alemanha
Entre as numerosas associações de Santa Cecília espalhadas pelo mundo devem ainda referir-se os Caecilienverein, grupos alemães de cultores de música sacra, fundados em 1886 pelo padre Franz Witt. Tinham como objectivo reformar o canto litúrgico de acordo com os princípios do "Motu Proprio", de Pio X, divulgar o canto gregoriano e estimular a criação de novas obras. A sua acção propagou-se a numerosas regiões da Alemanha, disseminando-se em organizações paroquiais que se reuniam regularmente em congressos gerais participados por músicos de outros países. Estas actividades foram interrompidas pelo regime hitleriano.
Henrique Fernandes (1987) Em Louvor de Santa Cecília. Ponto e Contraponto , ano 0, n.º 0