Cancioneiros Portugueses

             Cancioneiro da Biblioteca Publia Hortensia de Elvas

 

O Cancioneiro de Elvas é-nos conhecido desde 1940, ano em que o tenente Manuel Joaquim, que o havia descoberto na Biblioteca Municipal dessa cidade, publicou uma sua edição com o apoio do Instituto para a Alta Cultura.

O volume tem a cota 11793 e data do terceiro quartel do século XVI. Apresenta vestígios de uma encadernação provavelmente setecentista; o corte da guilhotina que, como se pode observar nos fólios 53, 64 e 82, deve ter levado uma boa fatia de papel, e os restos de dourado na borda das folhas.

Reencadernado em 1965, compõe-se de duas partes :

  • a primeira inclui sessenta e cinco canções polifónicas profanas, com transcrição da letra e da música;

  • a segunda inclui o texto de quinze romances, sete glosas e catorze vilancetes ou cantigas.

 

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A língua dominante é o castelhano, havendo apenas dezanove composições - dezasseis na 1ª parte, três na 2ª - escritas em português.

A foliação original revela que à primeira parte faltem as primeiras 39 folhas, bem como os fólios 50, 105, 107 e 109 ; a segunda parte está, no seu final, igualmente truncada.

As folhas, medindo 145 x 96 mm, apresentam duas ou, na esmagadora maioria dos casos, três marcas verticais paralelas, distantes entre si cerca de 31 mm. Vislumbram-se, a par das vergaduras (cerca de 11,5 por centímetro), marcas horizontais paralelas, simples ou duplas, a distâncias regulares variáveis.

Ao alto de algumas folhas, colocadas simetricamente sobre a marca vertical mais à esquerda, vê-se uma marca-de-água; nos fólios 45, 71, 77, 80, 84, 94, 96 e 108 da 1ª parte, e ainda nos fólios 10, 17 e 29 da 2ª, trata-se de uma figura composta basicamente por quatro traços curvilíneos, enquanto nas folhas 44, 59, 70, 73, 76, 81, 88, 97 e 110 da 1ª parte, e 9, 18 e 30 da 2ª, s eencontra um desenho mais complexo, incluindo a representação de uma escada e de uma estrela. Da composição de duas figuras resulta uma filigrana (reproduzida na gravura ao lado), de um tipo usado na Itália Central entre 1524 e 1517.

O códice apresenta a música disposta tal como era usual na época : as diferentes vozes escritas por separado, no verso de uma folha e recto da seguinte, de modo que perante o livro aberto todos os executantes pudessem ler simultaneamente as suas partes.

A voz superior apresenta-se invariavelmente no alto de uma das páginas, enquanto que as vozes intermédia e inferior aparecem, com três excepções, em segundo e terceiro lugar, contando de cima para baixo e da esquerda para a direita.


Tendo o Cancioneiro sido escrito por uma só mão, só pela análise do conteúdo se poderá averiguar como se terá constituído o manuscrito. A resposta a esta questão poderá por sua vez contribuir para uma melhor compreensão do seu lugar históriaco, que no estado actual da investigação é uma quase total incógnita.


Reunindo os dados relativos à língua, forma poética, mensuração, autoria (se conhecida) e concordâncias encontradas para cada composição da 1ª parte do Cancioneiro, e relacionando-os entre si, chegamos à conclusão de que essa parte justapõe grosso modo quatro colectâneas diversamente situadas no espaço e no tempo.

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