Compositores portugueses

             Joly Braga Santos     (1924 - 1988)

 

Joly Braga Santos, nasceu em Lisboa, a 14 de Maio de 1924. Aos 6 anos iniciou os estudos de violino e aos 10 anos de composição. Nesta última disciplina foi discípulo de Luís de Freitas Branco, com quem estudou todas as matérias teóricas, e em cuja doutrinação estética se integrou, tendo convivido constantemente com o seu mestre até à morte deste, ocorrida em Novembro de 1955.

Em 1948 foi concedida a Joly Braga Santos a primeira das três bolsas de estudo de que beneficiou para aperfeiçoamento no estrangeiro, tendo nessa altura estudado pela primeira vez direcção de orquestra em Veneza, durante a Bienale, com Herman Scherchen. Mais tarde, voltou a percorrer a Itália, a Suiça e a Alemanha, tendo concluído estudos dedirecção de orquestra novamente com Scherchen, e com Antonino Votto, em Gravesano, Siena e Milão, de composição com Virgílio Mortari, em Roma, e de Ciências Musicais, também em Roma, com Gioachino Pasqualini.

 

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Joly Braga Santos
é um dos mais talentosos compositores que surgiram em meados da década de 40 e o maior da sua geração. A vocação para a música levou-o a frequentar o Conservatório de Lisboa, onde teve como professor Luís de Freitas Branco. Mais tarde, já como aluno particular, continua a receber lições do mesmo mestre.

Aliás, as suas primeiras produções revelam o forte ascendente de Luís de Freitas Branco, nomeadamente no culto de ideais neo-clássicos, do modalismo e ainda na procura de construir obras que " não desdenhando as conquistas do século XX, falassem ao homem comum com simplicidade e clareza" (palavras do próprio Braga Santos).

Mas compositores como William Walton e Vaughan Williams (que ao tempo começavam a ser conhecidos entre nós, sobretudo através de gravações) exerceram também influência no futuro autor da 4ª Sinfonia. Porém, o seu talento criador e a sua personalidade não deixaram de se afirmar. Braga Santos cedo mostrou forte pendor para uma linguagem acessível, de efeito seguro junto de grandes auditórios, embora - acrescente-se - sem atraiçoar uma linha de seriedade.

De facto, a espontaneidade da sua música tinha de conquistar o público, mas o perfeito domínio do  metier que possuiu desde muito jovem, uma excelente orientação básica colhida nas lições e na convivência com Luís de Freitas Branco, não lhe permitiam, evidentemente, cair na charra banalidade, correr ao encontro do agrado fácil.


Com a maturidade e também devido a largas permanências no estrangeiro, onde contactou com técnicas mais evoluídas, o estilo de
Joly Braga Santos foi-se renovando. O vocabulário harmónico tornou-se mais rico, com maior emprego da dissonância e do cromatismo e o cromatismo e o elemento tímbrico passou a assumir uma dimensão não apenas colorística mas também estrutural. Contudo, o compositor não abandonou completamente algumas características que o distinguiram logo: tendência para as grandes formas, para a monumentalidade e uma verdadeira frescura inventiva.

A despeito de incursões valiosas no teatro lírico, de algumas obras de câmara, peças para canto e piano e outras para coro "a-cappella", a produção de Joly Braga Santos é, essencialmente orquestral.

Na fase inicial situam-se as quatro primeiras Sinfonias, escritas entre 1946/1950 : Elegia a Viana da Motta (1949) ; Variações Sinfónicas sobre um tema alentejano (1949); Concerto para cordas (1951) e a ópera Viver ou Morrer (texto de João de Freitas Branco), que data de 1952.

A "viragem" no estilo de Braga Santos começou a notar-se na ópera Mérope (texto de Garrett) e no Concerto de Viola (1960), acentuando-se com Esboços Sinfónicos (1962) e, sobretudo na Sinfonieta particularmente importante sob este aspecto. Outras obras devem, no entanto, referir-se como ilustradoras da evolução do autor :  Requiem à memória de Pedro de Freitas Branco (1964), Duplo Concerto para violino e violoncelo (1966), Variações Concertantes (1967) e a ópera Triologia das Barcas (baseada em Gil Vicente e levada à cena no Auditório da Gulbenkian e no Teatro de S. Carlos com assinalável êxito).

Com a Sinfonia nº 5, escrita em 1966 (portanto quatro anos antes da "Trilogia" ) essa evolução toma, porém, maior corpo, maior evidência.

A 6ª Sinfonia é a mais híbrida na sua linguagem : a um vasto painel orquestral, de feição cromatizante, sucede, num clima diatónico e modal, a intervenção de uma voz solista e coro (cantando poemas castelhanos de Camões). De salientar que uma das virtudes principais do autor da Mérope tem-se mantido inalterável. Refiro-me à maneira hábil como maneja a orquestra, variando a "cor" sonora consoante o carácter das obras e obtendo uma admirável limpidez nas passagens mais sobrecarregadas.

A 4ª Sinfonia não é uma obra folclórica, na acepção vulgar do termo. Mas muitas das suas páginas estão impregnadas de um sabor popular. Algumas das melodias e dos ritmos que nelas perpassam revelam forte influência do meio ambiente. Aliás o mesmo acontece na 3ª Sinfonia (porventura ainda em menor grau), igualmente escrita no Monte dos Perdigões).
A 4ª Sinfonia (de construção cíclica) divide-se nos tradicionais quatro andamentos, terminando com o "Hino à Juventude" que, na versão primitiva, se destinava apenas à orquestra.

 

 

HINO À JUVENTUDE

Juventude, pura juventude,
A Manhã, o Amor,
Tão do fundo Pátria vertical
A crescer em esplendor.

Levemente num caminho novo
Onde o cântico é dom,
Poderoso dom de ser-se leve,
Alva flor de som.

Juventude pássaros no sangue,
Ó incêndios de luz !
P'la distância inda mais além
Que à distância conduz.

Labaredas no Destino onde
Jovens ó por Amar !
Destruindo o barro que vos esconde
Com um só vosso olhar.

Amor, ó Dom,
Indestrutível Dom, mais além,
Oh, no espaço Amar !

Texto de Vasconcelos Sobral

 
"(...) A 4ª Sinfonia é dedicada à Juventude   Musical Portuguesa e termina com um Hino   à Juventude que simboliza a união dos jovens de todo o Mundo, através da Música.

 

Entrevista dada pelo compositor à Radiodifusão Portuguesa

 

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