Compositores portugueses

             Fernando  LOPES GRAÇA  (1906- 1994)

 

 Num dos seus livros, Fernando Lopes Graça conta-nos que, a princípio, a música foi para ele uma espécie de brincadeira. Como qualquer outra criança, gostava de exercitar os dedos no piano, de tiar melodias de ouvido.

E, ao mesmo tempo que afirma não ter sido um "menino prodígio", fala-nos do seu precoce interesse por concertos, na revelação que fora para o rapazinho de calções curtos a 5ª Sinfonia de Beethoven, tocada pela Banda do Regimento; da emoção sentida aos 11 anos ao ouvir pela primeira vez O MAR, do compositor francês Debussy.

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Tudo isto em Tomar, sua terra natal, onde viu a luz do dia a 17 de Dezembro de1906.

Fernando Lopes Graça entrou na vida bem cedo. Apenas com 14 anos começa a trabalhar como pianista no Cine-Teatro de Tomar, fazendo ele próprio "os arranjos" dos trechos que interpretava. Acontecia-lhe também, de longe a longe, introduzir no programa pequenas composições da sua autoria.

Em 1923 ingressa no Curso Superior do Conservatório de Lisboa, tendo como professor, entre outros, o maior pianista português de todos os tempos : Mestre Viana da Motta.

De notar, todavia, que Fernando Lopes Graça não se contentou com uma boa formação musical. Frequentou o Liceu e a Universidade, tornando-se mesmo mais tarde um homem de sólida e diversificada cultura. Profundo conhecedor da literatura portuguesa, contará pela vida fora com a amizade e a camaradagem dos maiores poetas e escritores da sua geração.

Terminando com a mais alta classificação o Curso de Composição, bem jovem ainda Fernando Lopes Graça concorre a uma vaga de professor do Conservatório, prestando para o efeito provas brilhantes. Contudo a sua nomeação fica sem efeito devido à sua conhecida oposição ao regime político de então.

Em boa hora, aceita o convite que na alturalhe é feito para leccionar na Academia de Música de Coimbra (hoje Conservatório Regional).

Coimbra, na altura, fervilhava de ideias novas, jovens talentosos, nomeadamente o grupo da Presença, revista literária favorável às modernas correntes de arte europeias. Fernando Lopes Graça breve se alia a esse grupo e colabora na revista.

Em 1937 ganha uma bolsa de estudo para Paris, bolsa que lhe é recusada pelas mesmas razões que o impediram de ser professor do Conservatório. Apesar disso parte para França  a expensas suas e, em Paris, aperfeiçoa e amplia os seus conhecimentos musicais e adquire experiência.

Ao fim de quase três anos regressa à pátria.Uma vez em Lisboa desenvolve a sua actividade como compositor e inicia a sua acção na Academia de Amadores de Música. 

Na década de 40 dedica-se a pesquisas folclóricas, começando a trabalhar estreitamente com o etnólogo francês Michel Jacometti.

Entretanto Fernando Lopes Graça havia criado o coro denominado "Coro da Academia de Amadores de Música". O Coro tornou-se também a breve trecho o porta-voz de um imenso reportório de canções tradicionais portuguesas, harmonizadas para várias vozes por Lopes-Graça.

Mas todas essas ocupações e viagens não o afastavam do seu trabalho como compositor. Hoje as suas obras contam-se por muitas dezenas , sendo extremamente difícil fazer a sua selecção. Todas elas são importantes na sua evolução, em todas está bem patente o seu nacionalismo.

A par da sua vastíssima produção vocal, extremamente diversificada, escreveu música para piano e outros instrumentos solistas, tais como guitarra e violino, música de câmara e música sinfónica.

Entre as mais valiosas, contam-se : 11 Glosas; Para uma Criança que Vai Nascer; Bosquejos (para orquestra de arcos); o ciclo de canções As mãos e os Frutos; Canto de Amor e de Morte (para conjunto instrumental); Cantata Melodrama D. Duardos e Flérida; Concerto de Violoncelo, escrito a pedido do célebre violoncelista soviético Rostropovitch ; o Quarteto de Cordas com o qual ganha o Prémio Rainier III de Mónaco.

Fernando Lopes Graça, que gosta muito de crianças e é adorado por elas, dedicou-lhes também muitas páginas , quer na ideia de lhes facilitar o estudo da música, quer para a sua diversão. Citemos por exemplo : Álbum do Jovem Pianista ; Presente de Natal para as Crianças, sob textos tradicionais ; Canções e Rondas Infantis ; As Cançõezinhas da Tila, com texto de Matilde Rosa Araújo ; A Menina do Mar, texto de Sophia de Mello Breyner e, ainda, formosíssimas canções de embalar.

 

 

 

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