Compositores portugueses

             Luís de FREITAS BRANCO     (1890 - 1955)

 

 A mais elevada personalidade musical da sua geração e uma das maiores da música portuguesa, Luís de Freitas Branco, nasceu em Lisboa , a 12 de Outubro de 1890, tendo falecido na mesma cidade, em 27 de Novembro de 1955.

 

Educado no convívio duma família de tradições intelectuais e artísticas, as suas inclinações musicais cedo se revelaram e vieram a confirmar-se com a composição , aos 14 anos, da canção Aquela Moça, hoje ainda no reportório. Começara a estudar com o compositor Augusto Machado e com Tomás Borba.

 

Ao significado da sua obra notabilíssima, da sua personalidade fecunda e dominadora, há a juntar a verdadeira paixão que possuía pela Juventude, o entusiasmo com que via os novos triunfar, a sua luta diária, durante cinquenta anos, pelo renovamento, pela europeízação da cultura portuguesa, e ainda a generosidade do seu grande coração, sempre disposto a ajudar os que começavam e vivendo com o mesmo entusiasmo as obras dos próprios discípulos, que pretendia sempre colocar à frente das suas.

JOLY BRAGA SANTOS

CRONOLOGIA

 

1890
   Nascimento de Luis de Freitas Branco no dia 12 de Outubro, em Lisboa (Trav. do Convento de Jesus nº 16)

1896
   Nascimento do seu irmão Pedro de Freitas Branco no dia 31 de Outubro.

1901
   Revela-se uma decidida vocação para a música. Os rudimentos do solfejo tinham-lhe sido ensinados pela preceptora irlandesa de vivia com a família. Veio a ser iniciado na Harmonia por Augusto Machado, no Contraponto, na fuga e na Instrumentação por Tomás Borba.
   Influência de seu tio paterno, João de Freitas Branco.

1902 e 1903
   Progride nos estudos musicais. Numa carta para o pai (7-5-1903); «Vou andando com os meus estudos e tenho tido sempre boas notas, por isso se Deus quiser é quase certo eu saír bem no exame. Já tenho 4 lições de rebeca e também ando muito adiantado porque já toco com os quatro dedos. (...) O Sr. Goñi gostou muito da rabeca e disse que era muito boa e tinha bom som» Noutra carta (13-6-1903): «Todas as terças, quintas e sábados tenho ido às lições de rabeca e o Sr. Goñi espera que eu já possa tocar regularmente quando o Papá voltar [de Londres]. (...) O meu mestre diz que em História, Corografia, Escrita, Doutrina, Leitura e verbos já estou muito adiantado e espero poder sair com distinção no exame do próximo mês.» Sofre um grave crise de saúde, um tifo, que por pouco lhe não causa a morte.

1904
   Compõe as canções Aquela Moça (Augusto de LIma; ed. «Sassetti») e Contrastes (João Vasconcelos e Sá; ed. «Sassetti»). Aquela Moça é provavelmente a composição de Luis de Freitas Branco mais vezes interpretada, por artistas de todos os níveis, desde Corina Freire a Francisco de Andrade, Beniamino Gili e Tomás Alcaide.

1905
   Numa carta ao tio João de Freitas Branco (4-8-1905) lamenta estar sem «as instruções musicais que de si recebia, sem ouvir também no órgão o Abendlied, o (sic) Träumerei, o coro dos romeiros do Tannhäuser, etc.
   «O Pedro quando veio para aqui [Reguengos?] estava um pouco atrasado em harmonia mas agora já me apanhou outra vez porque eu já lhe ensinei toda a harmonia e começaria a ensinar-lhe o contraponto de o soubesse.                                 " No outro dia ele ( o Pedro ) apresentou-me um dueto para duas rebecas que ele produzira sem me dizer nada; toquei-o e asseguro-lhe que me custou a crer que fosse composição dele; mas tive que me convencer.                                                      Se ele for sempre por este andar quando chegar à minha idade já sabe mais que o Borba."

  Termina a sinfonia dramática Manfredo, segundo Byron, para solistas, coro, orquestra e orgão.

  Primeira audição de Aquela Moça e de Contrastes por Vitoriano Braga e o autor, em Setúbal.

 

1906
   Continua a receber lições de Tomás Borba, cuja classe na Academia de Amadores de Música frequenta. Recebe também lições de Orgão do notável músico belga Desiré Pâque, então residente em Lisboa. É este quem o inicia nas teorias de Vincent d'Indy.

  Aproveita a estada de Luigi Mancinelli em Lisboa para trabalhar Instrumentação.

  É a partir deste ano que a família passa a morar na Rua do Século, então Rua Formosa, 79 (palácio Pombal). Entretanto, tinha por mais duma vez mudado de residência (Rua da Quintinha, 17 ; Rua da Horta Seca, 23 - 2º).

1907
   Continuação dos estudos anteriores, inclusivamente com Luigi Mancinelli. A par da formação de compositor e de organista, cuida de se aperfeiçoar no piano e no violino.

  Termina a 1ª Sonata para violino e piano (ed. "P. Pabst", Leipzig, 1909 ; "Sasseti", Lisboa, 1927), os Albumblätter para piano (ed. "P. Pabst", Leipzig, 1910), a Formosura (Camões), para canto e piano, e Canção Portuguesa, sobre poesia popular.

1908
   Sofre violento choque moral com o regicídio, porque se convence de que o seu pai também foi morto.

  Continuação dos estudos anteriores, inclusivamente com o maestro Mancinelli, que volta a dirigir na temporada de S. Carlos.

  Termina os poemas sinfónicos Depois duma leitura de Antero de Quental , Depois duma leitura de Júlio Diniz e   Depois duma leitura de Guerra Junqueiro.

  Obtém o " 1º prémio com distinção " no Concurso de Música Portuguesa efectuado por iniciativa da Sociedade de Música de Câmara de Lisboa. Presidente do júri, Viana da Mota ; secretários, Ernesto Vieira e António Arroio. A obra premiada é a 1ª Sonata para violino e piano, que Francisco Benetó e José Bonet interpretam. Concorrem ao mesmo certame Júlio Neuparth, Rodrigo da Fonseca e José Henrique dos Santos.

  Primeira audição de A Formosura, por Berta de Bívar e Desiré Pâque.

  Peças suas são ouvidas num "sarau de alunos" da Real Academia de Amadores de Música.

1909
   Termina a Trilogie de la Mort (Baudelaire), para canto e piano (La Mort des Amants, La mort des Pauvres, La mort des Artistes) ; Recueillement (Baudelaire), para canto e piano, publicado no nº 71 dos Serões, em Maio de1911 (onde já em 1907 aparecera impressa Aquela Moça); Élévation (Baudelaire), para canto e piano.

1910
   Na primeira semana de Fevereiro parte de comboio para Berlim, com o seu tio João de Freitas Branco. É a sua primeira grande viagem. Até aí, a sua vida tinha decorrido entre Lisboa e Reguengos de Monsaraz ( no Monte dos Perdigões, herdade de sua mãe, que pertencia à família desde Frutuoso de Góis, meio irmão de Damião de Góis), com alguns períodos de férias nos arredores de Lisboa, noeadamente Belas e Cascais.

   Os estudos oficiais ficam praticamente postos de parte, sem que nunca tenham sido muito normais, não obstante a passagem pelo Liceu do Carmo. É, portanto, a opção pela carreira de compositor.

   Em Berlim Humperdinck aceita-o como aluno. As lições não satisfazem completamente LFB, que prefere as de Dédiré Pâque. Este reside, agora, em Berlim.

  Numa carta de Pâque para JFB (11-5) : " Fiquei muito surpreendido com tudo o que ele me mostrou. As melodias baudelairianas, as peças para piano, tudo isso é de alguém que atingirá real notoriedade."

   Assiste a espectáculos importantes, como um concerto wagneriano dirigido por Karl Muck, uma audição da 9ª Sinfonia, uma récita de Pelléas et Mélisande, de Debussy, um recital de sonatas por Godowsky e Flesch. Aproveita para se cultivar nas artes plásticas, visitando nomeadamente o Museu Kaiser Friedrich.

  Interessa-se pelas teorias de Hugo Riemann e Stephan Krehl.

   Estuda notações antigas e novos métodos musicológicos.

   Convive com Viana da Mota e Francisco de Andrade.

   Seu tio regressa a Portugal e morre pouco depois, em 27 de Maio, em Lisboa. LFB regressa também (partida de Berlim a 3-6, chegada a Lisboa a 9-6).

   Está em Lisboa no dia 5 de Outubro. 29 anos mais tarde recordará, no Diário, que às oito e meia da manhã ouviu gritos de "Viva a República, Viva a Liberdade."

   Termina o poema sinfónico Os Paraísos Artificiais, inspirado em Thomas de Quincey.

   Primeira audição dos Albumblätter por Philippe Scharwenka, em Berlim.

   Primeira audição berlinense da 1ª Sonata para vioino e piano, por Mme. Scharwenka e Philippe Scharwenka.

   Estada em Paris, com seu pai, desde a primeira semana de Maio até 28 do mesmo mês (com passagem por Madrid). Respira a atmosfera de acontecimentos como as apresentações de L'Heure Espagnole e Le Martyre de San Sébastien, e os "Ballets Russes", que preparam então a estreia de Petruchka. Conhece Debussy pessoalmente.

   Recebe algumas lições de Gabriel Grovlez, sobre Estética e formas Impressionistas.

   Numa entrevista publicada no jornal Novidades (17-3): "Eu tenho, creia, o maior interesse em provar ao meu país, que sou, fundamentalmente, dentro da minha arte, um Português. Ontem, como ouviu, José Júlio Rodrigues, aludindo à minha filiação musical falou em Mussorgsky e Debussy. É certo que me tenho inspirado muito nos processos desses grandes músicos - como não podia deixar de ser - para me integrar no meu tempo. Mas, o que é facto, é que, inconscientemente, e segundo o próprio meu amigo crítico tem notado, existe nas minhas produções um fundo de meridionalismo que não é daqueles dois mestres - que é do meu sangue.

   De resto, o fim a que viso é justamente adaptar este profundo religiosismo da nossa raça, à actual fase da música, essencialmente psicológica e idealista, livre de qualquer peia de forma ou de regra."

   Termina As tentações de S. Frei Gil, oratória em três partes para solos, coros e orquestra, sobre poema de António Correia de Oliveira. Uma suite intitulada Fragmentos sinfónicos das Tentações de S. Frei Gil compreende a abertura e dois interlúdios.

   Termina o Quarteto de Cordas (ed. "Sasseti", 1927), Mirages, para piano (ed. "P.Pabst", Leipzig, 1911; "Valentim de Carvalho", Lisboa), cuja estreia se dá este ano, por Tavares de Almeida; La glèbe s'amollit (Jean Moréas), para canto e piano (ed. do jornal "l'Express Musical", de Lyon) ; A Elegia das Grades (Mário Beirão), para canto e piano (uma das Quatro Melodias).

   Primeira audição da Trilogie de la Mort e de Recueillement por Gabriela Jardim Strauss e o autor.

   Casa em 30 de Dezembro com D. Stella de Ávila e Sousa.

   Recusa-se a esperar o princípio do ano por este ser bissexto.

1912
   Vai com a família para a Madeira, para uma estada que se prolongará por 1913.

   Termina O Salutaris, para voz e orgão, Sub tuum praesidium, para duas vozes e orgão, Tota pulchra es, para voz e orgão, Veni Sancte Spiritus, para voz e orgão, Tantum ergo, para três vozes a-cappella. Exceptuada a última, estas obras foram publicadas no "Cantuale Congregationis Missionis"

1913
   É distinguido com menção honrosa no Concurso de Composição Musical de "l'Express Musical", de Lyon, pela canção La glèbe s'amollit.

   Termina a Sonata para violoncelo e piano (ed. "Sasseti", 1927) os Trois Sonnets de Maurice Maeterlinck (Désir d'hiver, Heures ternes, Feuillage du coeur), para canto e piano, os Deuxs Sonnets de Stéphane Mallarmé ( Le pitre châtié, Quand l'ombre menaça), para canto e piano, Ária, para orgão (ed. "Senart", colecção Les Maitres Contemporains de l'orgue, vol,. VI, Paris, 1913) e Coral, também para orgão (ibid.,vol. X).

   Termina ainda o poema sinfónico Vathek, sobre o texto de Beckford (LFB pôs na partitura a data de 1914 devido à sua indominável superstição).

   Primeira audição de Os Paraísos Artificiais, por Pedro Blanch, em Lisboa.

1914
   Regressada da Madeira, a família luta com dificuldades materiais. As rendas das propriedades estão baixas, só na década seguinte se tornará possível um aumento apreciável. LFB procura trabalho remunerado. Ensina inglês numa escola, trabalha para jornais, princípio duma longa carreira subsidiária de crítico literário e, sobretudo, musical, com as mais importantes colaborações dadas a Diário de Lisboa, Diário de Notícias e O Século.

   Primeira audição da Sonata para violoncelo e piano por Bernardino Galvez, em Barcelona.

1915
   É o período de máxima ligação ao Integralismo Lusitano. Convive então muito com Rui Ulrich, Hipólito Raposo, Almeida Braga, Pequito Rebelo, António Sardinha, Luís Chaves, Xavier Cordeiro, Alberto Monsaraz. Não tardará porém a afastar-se, pela diferença entre a sua formação universalista e aquilo que virá a classificar de nacionalismo romanticamente provinciano. Para essa evolução contribuirá muito a posição dos homens da Seara Nova e, mais do que todos, António Sérgio.

   Termina O Motivo da Planície (António Sardinha) e Minuete (Sardinha), duas das Quatro Melodias para canto e piano que a casa "Sasseti" editará em 1917.

   Compõe também o Soneto dos Repuxos (sardinha), para canto e piano.

   Primeira audição do poema sinfónico Depois duma Leitura de Antero de Quental, por David de Sousa, em Lisboa.

   Primeira audição em Portugal da Sonata para violoncelo e piano, por Mário Verguer e Pedro Blanco, no Porto.

   É nomeado membro do Conselho de Arte Musical, lugar que conservará até à extinção do conselho, em 1930.

   Toma parte numa série de conferências subordinadas ao título A Questão Ibérica. A sua conferência, sobre Música e Instrumentos, será publicada juntamente com outras da série.

1916
   Termina o poema sinfónico Viriato, sobre texto de Hipólito Raposo, cuja estreia é dada por Pedro Blanch, em Lisboa ; o Concerto para violino e orquestra, as Três Peças para Piano (Prelúdio, Rêverie e Capriccietto) dedicadas respectivamente a António Arroio, Hipólito Raposo e Augusto Machado (ed. "Sasseti"), estreadas neste mesmo ano pelo autor ; Luar, para piano (ed. "Sasseti"), Soneto ("O culto divinal se celebrava", Camões), para canto e piano (uma das Quatro Melodias).

   É nomeado professor de Leitura de Partitura, Realização de Baixo Cifrado e Acompanhamento, no Conservatório Nacional.

1917
   Termina a Balada para piano e orquestra, dedicada a Elisa de Sousa Pedroso, a Cena Lírica, para violoncelo e orquestra e as Duas Danças, para piano (ed. «Sasseti»), estreadas pouco depois por Viana da Mota, em Lisboa.

   Primeira audiçaõ do poema sinfónico Viriato, no Porto ; de Luar, pelo autor, em Lisboa ; das Quatro Melodias, para canto e piano e do Soneto dos Repuxos, por Marina Dewander Gabriel e o autor.

1918
   Nomeado para a comissão da reforma do Conservatório, começa em Janeiro a trabalhar nessa qualidade. Propõe a criação dum curso de Ciências Musicais dividido em cinco anos e disciplinas culturais como Língua e Literatura Portuguesas, Francês, literaturas estrangeiras, História e Geografia. Também propõe a ampliação do curso de Composição e a criação de cadeiras privativas de Instrumentação e de Regência de Orquestra.

   Termina os Dez Prelúdios para piano, dedicados a Viana da Mota (ed. "Sasseti"), estreados pouco depois por Viana da Mota, em Lisboa ; e O Canto do Mar (Alberto Monsaraz), para canto e orquestra, que é estrado por Berta de Bivar e Pedro Blanch no mesmo concerto em que este e Viana da Mota dão a primeira audição da Balada, para piano e orquestra.

   Primeira audição dos Fragmentos Sinfónicos das Tentações de S. Frei Gil por David de Sousa, em Lisboa.

   Em 29 de Outubro morre seu pai, com 57 anos de idade.

1919
   Promulgação da reforma do Conservatório,. Logo após a entrada de Viana da Mota para o cargo de director, LFB é nomeado subdirector. É também nomeado professor do ensino elementar de Composição. De 1919 a 1930 é, no Conservatório, o único professor da cadeira de Ciências Musicais, por ele criada.

   Termina a 1ª Suite Alentejana.

   Primeira audição da Cena Lírica por João Passos e Pedro Blanch, em Lisboa.

   Primeira audição lisboeta da Sonata para violoncelo e piano, na Sociedade Nacional de Música de Câmara.

1920
   Termina Dois Poemas de Lorenzo Stecchetti, para canto e piano (Ci siammo amati e La grigia nebbia) ; Despedida (Gabriel D'Annunzio), para canto e piano (a versão orquestral é de 1949); Frivolidade (Silva Teles), para canto e piano.

   Um programa impresso indica que o Quarteto de Cordas terá sido interpretado na Sociedade Nacional de Música de Câmara (Também há, porém, notícia de a 1ª audição do andamento lento se ter dado em 1928, pelo Quarteto de Luís Barbosa. Por outro lado, no seu Diário, LFB refere-se à "première do meu Quarteto de Cordas" em 10 de Julho de 1933, provavelmente por ser a 1ª audição integral.)

1921
   Participa com Viana da Mota no Congresso de História da Arte, em Paris, aonde chega no dia 24 de Setembro. Apresenta na Sorbonne uma comunicação sobre os mestres portugueses dos séculos XVI e XVII. A sua contribuição, incluindo importantes intervenções nos debates, é distinguida por Amédée Gastoné e André Pirro.

   Assiste em Paris a representações da Louise, com Marguerite Carré,  de Castor et Pollux, Les Tryens, Daphnis et Chloé, O Ouro do Reno. Desloca-se a Chartres e a Reims, para ver as catedrais (numa carta diz ter admirado ainda mais a de Reims). Contacta com personalidades como Prunières, Schloezer, Kaminsky , Vuillermoz, Claude Farrère, Wanda Landowska (em cuja casa esteve).

   Primeira audição parcial do Concerto para violino e orquestra por René Bohet e Vittorio Gui (um dos seus melhores amigos), em Lisboa; e de Frivolidade, por Cacilda Ortigão, no Rio de Janeiro.

   Viana da Mota interpreta os Albumblätter, Mirages e Prelúdios, em Paris.

1922
  Os problemas do Conservatório deixam-lhe muito poucotempo para compor.

   Nascimento de seu filho, em 10 de Janeiro.

  Publicação de Elementos de Ciências Musicais (ed. "Sasseti"), que estarão no programa do Conservatório até 1930.

1924
  Invocando o excesso de trabalho no Conservatório, que o impossibilita de se dedicar à composição, deixa o cargo de subdirector. Apesar da falta de tempo, consegue terminar a 1ª Sinfonia, em fá maior, que dedica a seu filho. Pedro Blanch dá, pouco depois, a 1ª audição.

1925
   Assume o cargo de director artístico do Teatro de S. Carlos que exercerá até 1927.

  Casamento de sua irmã Isabel com Sidónio Pais, filho do falecido presidente. Sua outra irmã, Maria, seguirá a sua vocação religiosa e passará muitos anos num convento em Espanha, perto de Pamplona, onde LFB a visitará com certa frequência.

1926
   Em Junho participa em Paris no Congresso Internacional dos Autores e Compositores Dramáticos.

   Termina a 2ª Sinfonia, em si bemol menor, dedicada a sua irmã Maria, que vem confirmar a orientação diferente, virada a um neoclassicismo.

   Primeira audição madrilena do poema sinfónico Depois duma Leitura de Antero de Quental e da 1ª Sinfonia, por Lassalle.

1927
   Termina a 2ª Suite Alentejana.

   Estreia da 2ª Sinfonia por Pedro Blanch, em Lisboa.

   Por sua influência, representa-se na temporada de 26-27 do S. Carlos, a Fedra, de Pizzetti.

   Publicação, em edição do Estado, do seu trabalho A Música em Portugal, destinado à Exposição de Sevilha.

1928
   Termina a 2ª Sonata para violino e piano.

1929
    1ªaudição da 2ª Suite Alentejana por Pedro de Freitas Branco, e da Canção Portuguesa, por José Rosa e PFB, em Sevilha.

   Funda a revista Arte Musical, que dirigirá até a sua publicação ser interrompida, cerca de vinte anos depois.

   Publicação de Elementos de Ciências Musicais, em dois volumes: Acústica e História da Música (ed. do autor, Lisboa). A obra é adoptada no Conservatório.

1930
   A contra-reforma do Conservatório é já um indício de regime anticultural que profundamente preocupa LFB. No entanto, extinto o Conselho de Arte Musical, passa a pertencer ao Conselho Superior de Instrução Pública. Pela mesma altura é nomeado membro do Conselho Disciplinar do Ministério da Instrução, vogal do Instituto para a Alta Cultura e professor do curso superior de Composição no Conservatório.

   Termina a Sonatina para piano (ed. "Sasseti"), estreada pouco depois por Maria Capucho.

   Escreve o prefácio do seu Tratado de Harmonia, que virá a ser publicado pela casa "Sasseti" (2ª edição em 1947).

   No dia 12 de Outubro, em que faz 40 anos, começa a escrever o seu Diário.

1931
   Encontro com Jacques Thibaud, no Porto, com quem tem uma longa conversa, em parte sobre Hitler.

   Encontro com Béla Bartók, em Lisboa, e troca de impressões sobre problemas de estética, técnica e pedagogias musicais.

   No Diário, em 27 de Outubro : "A cena que se passou no Conservatório é grave e sintomática : dois agentes da polícia quiseram levar preso o candidato a concurso para a cadeira de Piano Fernando Lopes Graça.  A prisão era motivada por inscrições nas paredes da cidade de Tomar de que Fernando Lopes Graça teria sido autor e instigador, e que significavam pouco amor à Ditadura. O júri protestou, impôs-se a polícia, o candidato prestou as suas provas, seguiu preso para Santarém e ficou classificado em primeiro lugar com 18 valores."

   E em 1 de Novembro : "O meu discípulo Fernando Graça continua preso e está à mercê de gente que tem do valor dele a mesma noção que a minha égua picarça pode ter do valor de Shakespeare."

   Compõe Lembrança (João de Deus) para quatro vozes masculinas a-cappella, estreada pouco depois pelo Orfeão Marcos Portugal, no Porto.

   É nomeado professor de Pedagogia Geral da Música no Liceu Normal de Lisboa Pedro Nunes. 

1932
   O Diário revela-nos que já nesta altura trabalha na instrumentação da 3ª Sinfonia.

   Em Madrid, Perez Casas dirige a 2ª Suite Alentejana e o Quarteto Nacional Espanhol interpreta o Quarteto de Cordas.

1933
   Desloca-se a Paris, aonde chega em 10 de Dezembro, por causa do filme Gado Bravo, cuja música é sua (os números cantados são sobre versos de António Boto). Em Paris assiste ao Cariolano, de Shakespeare, na Comédie; ao Jongleur de Notre-Dame e às Bodas de Fígaro, na Ópera Cómica; à Fledermaus no Teatro Pigalle, encenação de Max Reinhardt; ao Ricardo III, de Shakespeare, por Ch. Dullin, no Théâtre de l'Atelier; a uma versão teatral de Crime e Castigo, encenada por Gaston Baty; aos Mestres Cantores, na Ópera (acha os Mestres Cantores "muito envelhecidos"). Vê o filme Casanova, que lhe parece demasiado púdico, e ouve Wladimir Horowitz.

   Antes da deslocação a Paris, proferiu conferências na Universidade Popular.

   No dia 7 de Setembro deste ano, LFB ia perdendo a vida num acidente durante um passeio a cavalo às margens do Guadiana.

1934
   Passa ainda os primeiros dias do ano em Paris. Assiste no Vieux Colombier à representação de Musical Chairs, de Mackenzie,    por Jorge e Ludmila Pitoeff. E vai às Folies Bergères.

   Parte para Lisboa no dia 19 de Janeiro, a 31 de Maio está outra vez a caminho de Paris. Em casa de Marguerite Long encontra-se com Furtwängler, Florent Schmitt, Ida Rubinstein, Jacques Ibert e Darius Milhaud.

   Ouve um concerto de Toscanini nos Champs-Élysées: "Algumas coisas geniais. Conjunto um tanto seco." Assiste a um Tristão com Melchior, Frieda Leider, Lotte Lehmann, Bockelmann. A direcção de Furtwängler não o entusiasma. Entusiasma-o, sim, Alexander Kipnis, no Rei Marke. Trabalha nos reservados da Biblioteca Nacional de Paris. Assiste ainda a uns Mestres Cantores com elenco de Bayreuth e direcção de Furtwängler; e a uma representação do Pato Bravo, de Ibsen, no Vieux Colombier, pelos Pitoeff.

   Fica pronto o seu trabalho para o filme Gado Bravo, realizado por Max Nosseck (música editada pela casa "Sasseti") e para Douro, faina fluvial, de Manuel Oliveira.

   Termina o Hino à Razão (Antero de Quental), para canto e piano; A Sulamita e Idílio (das Três Melodias sobre poemas de Antero), também para canto e piano.

1935
   Compõe cinco dos Dez Madrigais Camonianos, para coro misto; e a Marcha Militar (Carlos Queiroz), para quatro vozes masculinas.

   Colabora num projecto de reforma do Conservatório, na certeza, porém, de que a sua orientação cultural e pedagógica não encontrará apoio do então ministro da Educação Nacional Carneiro Pacheco.

   No Diário, em 28 de Abril: " Ultimamente componho pouco por estar a fixar um novo estilo. Sinto porém o tempo correr e vou acabar por fazer obras em que apenas indicarei muito superficialmente  o que queria fazer". Em 29 de Julho : " Foi ontem entrgue ao Ministro da Educação Nacional a reforma do Conservatório de Música ( projecto de lei orgância). O espírito da reforma é levantar o nível cultural e facilitar a instrução : dois princípios opostos aos que têm orientado a legislação portuguesa na actual situação política." A reforma nunca foi promulgada.

1937
  Pedro de Freitas Branco dirige a 1ª Sinfonia em Paris.

   Termina a cantata Noemi, sobre texto do autor segundo o Livro de Ruth, para solos, cor, orquestra e órgão.

   Depõe num tribunal em defesa de Fernando Lopes Graça.

1938
   Viana da Mota deixa de exercer o cargo de director do Conservatório, porque atinge o limite de idade. Ivo Cruz será o seu sucessor, escolhido pelo ministro Carneiro Pacheco.

   No Diário, em 28 de Abril: "Na impossibilidade de escrever uma Cantata de Trabalho anticapitalista poderia tentar uma sinfonia com um quarto andamento coral contra o egoísmo e a favor da solidariedade."

   Em 12 de Novembro: "A Srª D. Elisa Pedroso diz-me que Salazar lhe pediu a opinião a meu respeito e que quando a ouviu favorável, perguntou: Este não tem mas? A Srª D. Elisa, que já tinha falado de outros, respondeu: Não. Este não tem mas. Salazar acrescentou: Pois podia ter. Tem valor suficiente para se lhe desculpar o mas. Mais acrescentou a Srª D. Elisa que lhe sentiu uma atracção pelo meu nome, uma insistência em mim, o que a encheu de alegria. Mal sabe esta minha excelente amiga que o sintoma é mais para alarmar do que para alegrar." 14 de Novembro: "Quis aqui dizer anteontem a propósito dos elogios de Salazar: Ai daquele para quem Torquemada Sorri."

   Termina a Rapsódia Portuguesa, para órgão, estreada pouco depois por Filipe Rosa de Carvalho, em Lisboa.

   1ª audição da 2ª Sonata para violino e piano por Paulo Manso e Isabel Manso, em Lisboa.

1939
   Princípio das "depurações" no Conservatório.LFB será suspenso das suas funções de professor. A partir de então, a solicitação dos seus serviços por parte de organismos do Estado reduzir-se-á cada vez mais, exceptuadas as importantes colaborações prestadas à Emissora Nacional até 1951, através do Gabinete de Estudos Musicais e como autor de numerosos programas radiofónicos, o que se deveu ao facto de estar à testa dos serviços musicais da E.N. o seu discípulo Pedro do Prado.

   Termina a abertura sinfónica 1640, estreada por Pedro de Freitas Branco nas comemorações da independência, no ano seguinte.

   1ª audição de Idilio por Leonor Viana da Mota e José Viana da Mota, na E.N; e de Noemi, sob a direcção de Hermínio do Nascimento, no Conservatório.

1940
   É arguido no processo disciplinar que lhe está sendo instaurado no Conservatório e de que virá a resultar o seu afastamento. Entre as acusações: "Nas proximidades das férias da Páscoa do ano lectivo findo, numa sua aula, referiu-se à passagem da Bíblia que descreve a anunciação do nascimento de Jesus Cristo, fazendo-o por forma irreverente; e aconselhou, por último, as suas alunas a escolher um marido que fosse mais móvel do que S. José." (Faz lembrar um antepassado de L. F. B., Damião de Góis, acusado pela Inquisição de ter dito que, se Lutero cá viesse, havia de converter o cardeal D. Henrique ao protestantismo.)

   Termina os Quatro Prelúdios para piano dedicados a Isabel Manso e por ela estreados neste mesmo ano, em Lisboa (ed. "Sasseti", juntamente com o Prelúdio dedicado a António Arroio e os dez dedicados a Viana da Mota).

   Primeira audição integral do Concerto para violino e orquestra, por Francisco Benetó e Pedro de Freitas Branco.

1941
   Termina o Sonho Oriental (das Três Melodias sobre poemas de Antero de Quental).

1942
   Descobre em Évora a partitura de toda a primeira ópera espanhola que chegou até nós, Celos aun del ayre matan, de Juan Hidalgo, de que só se conhecia uma parte

   No dia 9 de Novembro sofre uma apoplexia. A sua primeira preocupação é que seja aposentado compulsivamente no Conservatório, por incapacidade física.

   Retoma os apontamentos da 3ª Sinfonia.

   Primeira audição do Sonho Oriental por Marina Dewander Gabriel e F. Lopes Graça, em Lisboa.

   Publicação de História Popular da Música (ed. "Cosmos")

1943
   Termina a 3ª Sinfonia, em mi menor, dedicada a Pedro do Prado; A Ideia (oito sonetos de Antero), para canto e piano ; os restantes cinco dos Dez Madrigais Camonianos , para coro misto ; duas Redondilhas de Camões, para coro feminino; 27 Canções Populares Portuguesas, para canto e piano (sete das quais editadas pela Emissora Nacional), Seis Canções Populares Portuguesas para coro misto.

   Publicação da Vida de Beethoven (ed. "Cosmos").

1944
   Termina A Vida e o Pensamento de Ricardo Wagner, publicada em folhetim na "Arte Musical".

   Começa a trabalhar na 4ª Sinfonia.

   Primeira audição em Nova Iorque da 2ª Sinfonia, dirigida por Arthur Judson.

1945
   Primeiros apontamentos para a ópera Inês de Castro, que não chegará a concretizar-se : projecto das cenas em que deveriam subdividir-se os três actos.

   Pedro de Freitas Branco dirige em Marselha o poema sinfónico Depois duma leitura de Antero de Quental. (Neste período, PFB interpreta várias vezes música do irmão no estrangeiro, nomeadamente Os Paraísos Artificiais em Birmingham, Manchester e Londres.)

   Como todos os portugueses progressistas, LFB tem esperança de que o fim da guerra precipite a queda do regime salazarista. Por desgraça, o acontecimento não se dará em sua vida.

1947
   De 5 a 8 de Fevereiro transcreve, em Vila Viçosa, as partes da ópera As Guerras do Alecrim e Manjerona, de cuja existência tem conhecimento pelo Dr. João de Figueiredo.

   A convite do British Council desloca-se a Edimburgo por ocasião do festival e é eleito representante dos delegados estrangeiros junto da organização. Encontro com Bruno Walter, que lhe fala de seu irmão.

    Relativamente à sua situação no Conservatório, é elucidativa a seguinte informação escrita pelo punho de LFB na proposta para sócio da Juventude Musical Portuguesa, em 1949 : "A licença ilimitada publicada no "D. do G." de 7-XI-1947, aparentemente solicitada, foi compulsiva."

   Termina as Variações e Fuga Tríplice sobre um tema original, para orquestra de corda e orgão, dedicadas a Maria da Graça Amado da Cunha.

   Primeira audição da 3ª Sinfonia por Pedro de Freitas Branco, em Lisboa.

   Marina Dewander Gabriel interpreta as Quatro Melodias para canto e piano em Paris.

   Publicação de A personalidade de Beethoven, livro dedicado a Bento Caraça (ed."Cosmos") e da conferência sobre A Música de Teatro em Portugal ( em A Evolução e o Espírito do Teatro em Portugal (ed. "O Século").

1948
   Toma parte activa e de grande relevância na fundação e lançamento da Juventude Musical Portuguesa, de cuja mesa da Assembleia Geral é o primeiro presidente.

   Termina cinco Redondilhas sobre versos de Camões, quatro para coro feminino, a restante para coro masculino.

   No dia 1 de Junho morre o músico português que mais admirava e a quem prestou muita da sua importante colaboração : Viana da Mota.

1949
   Termina mais onze Redondilhas, seis para coro masculino, cinco para feminino; Homenagem a Chopin (polaca para orquestra sobre um tema de Chopin), estreada por Pedro de Freitas Branco; Dança Pastoral (LFB) e Canção da Pastora (LFB), a primeira para três vozes femininas, a segunda para três vozes masculinas.

   Primeira audição das Variações e Fuga tríplice, dirigidas por PFB, em Lisboa ; de A Ideia, por Arminda Corrêa e F. Lopes Graça, em Lisboa ; de La glèbe s'amollit, por Arminda Corrêa, na Emissora Nacional.

   Publicação de Chopin e Portugal (em Frederico Chopin, juntamente com F. Lopes Graça e Janusz Miketta, ed. "Vértice", Coimbra).

1950
   Compõe duas canções populares (Roma não é mais senhora, Canto guerreiro de Spartacus, para solo vocal, coro a 2 vozes e piano, sobre versos de Fernando M. publicados no nº 956 da Seara Nova; e Só te Cantamos a ti, canção marcha para solo vocal, coro uníssono e piano, sobre versos de José Gomes Ferreira) para serem cantadas na clandestinidade ; e Canção da Pedra (Afonso Duarte), para coro misto, cuja primeira audição é dada pelo Coro dos Trabalhadores dos Laboratórios Normal, dirigido por Nuno Barreiros.

   Primeira audição de Vathek, sem a 3ª variação, por Joly Braga Santos, em Lisboa (A primeira audição integral só será dada em 1961, depois da morte do autor, por Álvaro Cassuto.)

   Primeira audição dos Três Sonetos de Maeterlinck por Maria Alice Vieira de Almeida e F. Lopes Graça, em Lisboa.

   Termina a música para o filme Frei Luís de Sousa, realizado por António Lopes Ribeiro.

   Aceita o convite para dirigir a Gazeta Musical, então fundada.Exercerá o cargo até 1953.

   Em 24 de Março morre sua mãe.

1951
   Recebe, com data de 4 de Maio, um ofício da Emissora Nacional, assinado pelo presidente da direcção António d'Eça de Queiroz, pela qual lhe é transmitida a seguinte nota de serviço : " Devido a ter aparecido na Emissora Nacional, no dia seguinte ao falecimento do Chefe do Estado, com uma gravata avermelhada - o que provocou o reparo de alguns funcionários e manifesto escândalo público - determino que seja suspensa a colaboração do professor Luís de Freitas Branco, até resolução ulterior. Do Exmo Sr. Presidente da Direcção"

   O mesmo ofício dá conhecimento da "resolução ulterior" : " Em vista do sucedido, que sei ser verdade, pois V. Exª foi o próprio a admiti-lo, resolvo que a colaboração que V. Exª prestava na Emissora Nacional fique definitivamente anulada."

   Termina Cá nesta Babilónia, sobre o poema de Camões, para canto e piano ; e Oito Canções Populares Portuguesas, versão orquestral de parte das 27 canções de 1943.

   Escreve os primeiros compassos da partitura da ópera A Voz da Terra, que não chegará a terminar.

   Primeira audição de Despedida, por George Kobaladze e Pedro de Freitas Branco, em Lisboa ; e do primeiro dos Dez Madrigais Camonianos para coro misto, pelo Coro da Academia de Amadores de Música, dirigido por F. Lopes Graça. (A primeira audição integral só se dará em 1965, pelo Coro de Câmara Gulbenkian, dirigido por Olga Violante, no Festival Gulbenkian.)

1952
   O Coro Harmonia, dirigido por Friedrich Wilhelm Verner, contribui para a divulgação de algumas das obras camonianas de LFB, no prosseguimento duma actividade cultural antes iniciada.

   Termina a 4ª Sinfonia, em ré maior, dedicada a Joly Braga Santos, que só será estreada em 1956, por PFB, num dos concertos de homenagem póstuma realizados pelo Círculo de Cultura Musical, por iniciativa de Elisa Pedroso.

   Termina também o poema sinfónico Solemnia Verba (sobre o soneto de Antero) e a música para o documentário Algarve de Além-Mar, de António Lopes Ribeiro.

   Publicação do artigo Das ideias sobre a música em Portugal (ed. da revista "Vértice", Coimbra).

1954
   Continua com o projecto de compôr pelo menos uma ópera e, também, a sua quinta sinfonia, com coros : a Sinfonia do Trabalho, que já não poderá escrever.

   Entretanto, vai ultimando o livro D. João IV Músico, encomendado pela Fundação da Casa de Bragança. (Veio a ser por esta publicado, postumamente, em 1956).

1955
   Escreve parte do 1ºacto da ópera A Voz da Terra ( poema e música), a última obra em que trabalha, sem chegar perto do fim. Perante a viabilidade de voltar a prestar colaboração à Emissora Nacional, ainda prepara um novo programa de divulgação, que deveria chamar-se O Gosto pela Música.

   No dia 12 de Janeiro sofre um grave colapso cardíaco. A convalescença é longa, assistida pelo seu dedicado médico Dr. Ernesto de Castro e Silva. Compreende o que fatalmente vai acontecer, diz a amigos que que já por duas vezes teve a sensação da morte e que de ambas foi uma sensação de alívio.

   Morre na madrugada do dia 27, na Rua do Século nº 79.

 

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