Compositores portugueses Luís de FREITAS BRANCO (1890 - 1955)
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A mais elevada personalidade musical da sua geração e uma das maiores da música portuguesa, Luís de Freitas Branco, nasceu em Lisboa , a 12 de Outubro de 1890, tendo falecido na mesma cidade, em 27 de Novembro de 1955. |
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Educado no convívio duma família de tradições intelectuais e artísticas, as suas inclinações musicais cedo se revelaram e vieram a confirmar-se com a composição , aos 14 anos, da canção Aquela Moça, hoje ainda no reportório. Começara a estudar com o compositor Augusto Machado e com Tomás Borba.
Ao significado da sua obra notabilíssima, da sua personalidade fecunda e dominadora, há a juntar a verdadeira paixão que possuía pela Juventude, o entusiasmo com que via os novos triunfar, a sua luta diária, durante cinquenta anos, pelo renovamento, pela europeízação da cultura portuguesa, e ainda a generosidade do seu grande coração, sempre disposto a ajudar os que começavam e vivendo com o mesmo entusiasmo as obras dos próprios discípulos, que pretendia sempre colocar à frente das suas. JOLY BRAGA SANTOS |
| CRONOLOGIA |
1890 1896 1901 1902 e 1903 1904 1905 Termina a sinfonia dramática Manfredo, segundo Byron, para solistas, coro, orquestra e orgão. Primeira audição de Aquela Moça e de Contrastes por Vitoriano Braga e o autor, em Setúbal.
1906 Aproveita a estada de Luigi Mancinelli em Lisboa para trabalhar Instrumentação. É a partir deste ano que a família passa a morar na Rua do Século, então Rua Formosa, 79 (palácio Pombal). Entretanto, tinha por mais duma vez mudado de residência (Rua da Quintinha, 17 ; Rua da Horta Seca, 23 - 2º). 1907 Termina a 1ª Sonata para violino e piano (ed. "P. Pabst", Leipzig, 1909 ; "Sasseti", Lisboa, 1927), os Albumblätter para piano (ed. "P. Pabst", Leipzig, 1910), a Formosura (Camões), para canto e piano, e Canção Portuguesa, sobre poesia popular. 1908 Continuação dos estudos anteriores, inclusivamente com o maestro Mancinelli, que volta a dirigir na temporada de S. Carlos. Termina os poemas sinfónicos Depois duma leitura de Antero de Quental , Depois duma leitura de Júlio Diniz e Depois duma leitura de Guerra Junqueiro. Obtém o " 1º prémio com distinção " no Concurso de Música Portuguesa efectuado por iniciativa da Sociedade de Música de Câmara de Lisboa. Presidente do júri, Viana da Mota ; secretários, Ernesto Vieira e António Arroio. A obra premiada é a 1ª Sonata para violino e piano, que Francisco Benetó e José Bonet interpretam. Concorrem ao mesmo certame Júlio Neuparth, Rodrigo da Fonseca e José Henrique dos Santos. Primeira audição de A Formosura, por Berta de Bívar e Desiré Pâque. Peças suas são ouvidas num "sarau de alunos" da Real Academia de Amadores de Música. 1909 1910 Os estudos oficiais ficam praticamente postos de parte, sem que nunca tenham sido muito normais, não obstante a passagem pelo Liceu do Carmo. É, portanto, a opção pela carreira de compositor. Em Berlim Humperdinck aceita-o como aluno. As lições não satisfazem completamente LFB, que prefere as de Dédiré Pâque. Este reside, agora, em Berlim. Numa carta de Pâque para JFB (11-5) : " Fiquei muito surpreendido com tudo o que ele me mostrou. As melodias baudelairianas, as peças para piano, tudo isso é de alguém que atingirá real notoriedade." Assiste a espectáculos importantes, como um concerto wagneriano dirigido por Karl Muck, uma audição da 9ª Sinfonia, uma récita de Pelléas et Mélisande, de Debussy, um recital de sonatas por Godowsky e Flesch. Aproveita para se cultivar nas artes plásticas, visitando nomeadamente o Museu Kaiser Friedrich. Interessa-se pelas teorias de Hugo Riemann e Stephan Krehl. Estuda notações antigas e novos métodos musicológicos. Convive com Viana da Mota e Francisco de Andrade. Seu tio regressa a Portugal e morre pouco depois, em 27 de Maio, em Lisboa. LFB regressa também (partida de Berlim a 3-6, chegada a Lisboa a 9-6). Está em Lisboa no dia 5 de Outubro. 29 anos mais tarde recordará, no Diário, que às oito e meia da manhã ouviu gritos de "Viva a República, Viva a Liberdade." Termina o poema sinfónico Os Paraísos Artificiais, inspirado em Thomas de Quincey. Primeira audição dos Albumblätter por Philippe Scharwenka, em Berlim. Primeira audição berlinense da 1ª Sonata para vioino e piano, por Mme. Scharwenka e Philippe Scharwenka. Estada em Paris, com seu pai, desde a primeira semana de Maio até 28 do mesmo mês (com passagem por Madrid). Respira a atmosfera de acontecimentos como as apresentações de L'Heure Espagnole e Le Martyre de San Sébastien, e os "Ballets Russes", que preparam então a estreia de Petruchka. Conhece Debussy pessoalmente. Recebe algumas lições de Gabriel Grovlez, sobre Estética e formas Impressionistas. Numa entrevista publicada no jornal Novidades (17-3): "Eu tenho, creia, o maior interesse em provar ao meu país, que sou, fundamentalmente, dentro da minha arte, um Português. Ontem, como ouviu, José Júlio Rodrigues, aludindo à minha filiação musical falou em Mussorgsky e Debussy. É certo que me tenho inspirado muito nos processos desses grandes músicos - como não podia deixar de ser - para me integrar no meu tempo. Mas, o que é facto, é que, inconscientemente, e segundo o próprio meu amigo crítico tem notado, existe nas minhas produções um fundo de meridionalismo que não é daqueles dois mestres - que é do meu sangue. De resto, o fim a que viso é justamente adaptar este profundo religiosismo da nossa raça, à actual fase da música, essencialmente psicológica e idealista, livre de qualquer peia de forma ou de regra." Termina As tentações de S. Frei Gil, oratória em três partes para solos, coros e orquestra, sobre poema de António Correia de Oliveira. Uma suite intitulada Fragmentos sinfónicos das Tentações de S. Frei Gil compreende a abertura e dois interlúdios. Termina o Quarteto de Cordas (ed. "Sasseti", 1927), Mirages, para piano (ed. "P.Pabst", Leipzig, 1911; "Valentim de Carvalho", Lisboa), cuja estreia se dá este ano, por Tavares de Almeida; La glèbe s'amollit (Jean Moréas), para canto e piano (ed. do jornal "l'Express Musical", de Lyon) ; A Elegia das Grades (Mário Beirão), para canto e piano (uma das Quatro Melodias). Primeira audição da Trilogie de la Mort e de Recueillement por Gabriela Jardim Strauss e o autor. Casa em 30 de Dezembro com D. Stella de Ávila e Sousa. Recusa-se a esperar o princípio do ano por este ser bissexto. 1912 Termina O Salutaris, para voz e orgão, Sub tuum praesidium, para duas vozes e orgão, Tota pulchra es, para voz e orgão, Veni Sancte Spiritus, para voz e orgão, Tantum ergo, para três vozes a-cappella. Exceptuada a última, estas obras foram publicadas no "Cantuale Congregationis Missionis" 1913 Termina a Sonata para violoncelo e piano (ed. "Sasseti", 1927) os Trois Sonnets de Maurice Maeterlinck (Désir d'hiver, Heures ternes, Feuillage du coeur), para canto e piano, os Deuxs Sonnets de Stéphane Mallarmé ( Le pitre châtié, Quand l'ombre menaça), para canto e piano, Ária, para orgão (ed. "Senart", colecção Les Maitres Contemporains de l'orgue, vol,. VI, Paris, 1913) e Coral, também para orgão (ibid.,vol. X). Termina ainda o poema sinfónico Vathek, sobre o texto de Beckford (LFB pôs na partitura a data de 1914 devido à sua indominável superstição). Primeira audição de Os Paraísos Artificiais, por Pedro Blanch, em Lisboa. 1914 Primeira audição da Sonata para violoncelo e piano por Bernardino Galvez, em Barcelona. 1915 Termina O Motivo da Planície (António Sardinha) e Minuete (Sardinha), duas das Quatro Melodias para canto e piano que a casa "Sasseti" editará em 1917. Compõe também o Soneto dos Repuxos (sardinha), para canto e piano. Primeira audição do poema sinfónico Depois duma Leitura de Antero de Quental, por David de Sousa, em Lisboa. Primeira audição em Portugal da Sonata para violoncelo e piano, por Mário Verguer e Pedro Blanco, no Porto. É nomeado membro do Conselho de Arte Musical, lugar que conservará até à extinção do conselho, em 1930. Toma parte numa série de conferências subordinadas ao título A Questão Ibérica. A sua conferência, sobre Música e Instrumentos, será publicada juntamente com outras da série. 1916 É nomeado professor de Leitura de Partitura, Realização de Baixo Cifrado e Acompanhamento, no Conservatório Nacional. 1917 Primeira audiçaõ do poema sinfónico Viriato, no Porto ; de Luar, pelo autor, em Lisboa ; das Quatro Melodias, para canto e piano e do Soneto dos Repuxos, por Marina Dewander Gabriel e o autor. 1918 Termina os Dez Prelúdios para piano, dedicados a Viana da Mota (ed. "Sasseti"), estreados pouco depois por Viana da Mota, em Lisboa ; e O Canto do Mar (Alberto Monsaraz), para canto e orquestra, que é estrado por Berta de Bivar e Pedro Blanch no mesmo concerto em que este e Viana da Mota dão a primeira audição da Balada, para piano e orquestra. Primeira audição dos Fragmentos Sinfónicos das Tentações de S. Frei Gil por David de Sousa, em Lisboa. Em 29 de Outubro morre seu pai, com 57 anos de idade. 1919 Termina a 1ª Suite Alentejana. Primeira audição da Cena Lírica por João Passos e Pedro Blanch, em Lisboa. Primeira audição lisboeta da Sonata para violoncelo e piano, na Sociedade Nacional de Música de Câmara. 1920 Um programa impresso indica que o Quarteto de Cordas terá sido interpretado na Sociedade Nacional de Música de Câmara (Também há, porém, notícia de a 1ª audição do andamento lento se ter dado em 1928, pelo Quarteto de Luís Barbosa. Por outro lado, no seu Diário, LFB refere-se à "première do meu Quarteto de Cordas" em 10 de Julho de 1933, provavelmente por ser a 1ª audição integral.) 1921 Assiste em Paris a representações da Louise, com Marguerite Carré, de Castor et Pollux, Les Tryens, Daphnis et Chloé, O Ouro do Reno. Desloca-se a Chartres e a Reims, para ver as catedrais (numa carta diz ter admirado ainda mais a de Reims). Contacta com personalidades como Prunières, Schloezer, Kaminsky , Vuillermoz, Claude Farrère, Wanda Landowska (em cuja casa esteve). Primeira audição parcial do Concerto para violino e orquestra por René Bohet e Vittorio Gui (um dos seus melhores amigos), em Lisboa; e de Frivolidade, por Cacilda Ortigão, no Rio de Janeiro. Viana da Mota interpreta os Albumblätter, Mirages e Prelúdios, em Paris. 1922 Nascimento de seu filho, em 10 de Janeiro. Publicação de Elementos de Ciências Musicais (ed. "Sasseti"), que estarão no programa do Conservatório até 1930. 1924 1925 Casamento de sua irmã Isabel com Sidónio Pais, filho do falecido presidente. Sua outra irmã, Maria, seguirá a sua vocação religiosa e passará muitos anos num convento em Espanha, perto de Pamplona, onde LFB a visitará com certa frequência. 1926 Termina a 2ª Sinfonia, em si bemol menor, dedicada a sua irmã Maria, que vem confirmar a orientação diferente, virada a um neoclassicismo. Primeira audição madrilena do poema sinfónico Depois duma Leitura de Antero de Quental e da 1ª Sinfonia, por Lassalle. 1927 Estreia da 2ª Sinfonia por Pedro Blanch, em Lisboa. Por sua influência, representa-se na temporada de 26-27 do S. Carlos, a Fedra, de Pizzetti. Publicação, em edição do Estado, do seu trabalho A Música em Portugal, destinado à Exposição de Sevilha. 1928 1929 Funda a revista Arte Musical, que dirigirá até a sua publicação ser interrompida, cerca de vinte anos depois. Publicação de Elementos de Ciências Musicais, em dois volumes: Acústica e História da Música (ed. do autor, Lisboa). A obra é adoptada no Conservatório. 1930 Termina a Sonatina para piano (ed. "Sasseti"), estreada pouco depois por Maria Capucho. Escreve o prefácio do seu Tratado de Harmonia, que virá a ser publicado pela casa "Sasseti" (2ª edição em 1947). No dia 12 de Outubro, em que faz 40 anos, começa a escrever o seu Diário. 1931 Encontro com Béla Bartók, em Lisboa, e troca de impressões sobre problemas de estética, técnica e pedagogias musicais. No Diário, em 27 de Outubro : "A cena que se passou no Conservatório é grave e sintomática : dois agentes da polícia quiseram levar preso o candidato a concurso para a cadeira de Piano Fernando Lopes Graça. A prisão era motivada por inscrições nas paredes da cidade de Tomar de que Fernando Lopes Graça teria sido autor e instigador, e que significavam pouco amor à Ditadura. O júri protestou, impôs-se a polícia, o candidato prestou as suas provas, seguiu preso para Santarém e ficou classificado em primeiro lugar com 18 valores." E em 1 de Novembro : "O meu discípulo Fernando Graça continua preso e está à mercê de gente que tem do valor dele a mesma noção que a minha égua picarça pode ter do valor de Shakespeare." Compõe Lembrança (João de Deus) para quatro vozes masculinas a-cappella, estreada pouco depois pelo Orfeão Marcos Portugal, no Porto. É nomeado professor de Pedagogia Geral da Música no Liceu Normal de Lisboa Pedro Nunes. 1932 Em Madrid, Perez Casas dirige a 2ª Suite Alentejana e o Quarteto Nacional Espanhol interpreta o Quarteto de Cordas. 1933 Antes da deslocação a Paris, proferiu conferências na Universidade Popular. No dia 7 de Setembro deste ano, LFB ia perdendo a vida num acidente durante um passeio a cavalo às margens do Guadiana. 1934 Parte para Lisboa no dia 19 de Janeiro, a 31 de Maio está outra vez a caminho de Paris. Em casa de Marguerite Long encontra-se com Furtwängler, Florent Schmitt, Ida Rubinstein, Jacques Ibert e Darius Milhaud. Ouve um concerto de Toscanini nos Champs-Élysées: "Algumas coisas geniais. Conjunto um tanto seco." Assiste a um Tristão com Melchior, Frieda Leider, Lotte Lehmann, Bockelmann. A direcção de Furtwängler não o entusiasma. Entusiasma-o, sim, Alexander Kipnis, no Rei Marke. Trabalha nos reservados da Biblioteca Nacional de Paris. Assiste ainda a uns Mestres Cantores com elenco de Bayreuth e direcção de Furtwängler; e a uma representação do Pato Bravo, de Ibsen, no Vieux Colombier, pelos Pitoeff. Fica pronto o seu trabalho para o filme Gado Bravo, realizado por Max Nosseck (música editada pela casa "Sasseti") e para Douro, faina fluvial, de Manuel Oliveira. Termina o Hino à Razão (Antero de Quental), para canto e piano; A Sulamita e Idílio (das Três Melodias sobre poemas de Antero), também para canto e piano. 1935 Colabora num projecto de reforma do Conservatório, na certeza, porém, de que a sua orientação cultural e pedagógica não encontrará apoio do então ministro da Educação Nacional Carneiro Pacheco. No Diário, em 28 de Abril: " Ultimamente componho pouco por estar a fixar um novo estilo. Sinto porém o tempo correr e vou acabar por fazer obras em que apenas indicarei muito superficialmente o que queria fazer". Em 29 de Julho : " Foi ontem entrgue ao Ministro da Educação Nacional a reforma do Conservatório de Música ( projecto de lei orgância). O espírito da reforma é levantar o nível cultural e facilitar a instrução : dois princípios opostos aos que têm orientado a legislação portuguesa na actual situação política." A reforma nunca foi promulgada. 1937 Termina a cantata Noemi, sobre texto do autor segundo o Livro de Ruth, para solos, cor, orquestra e órgão. Depõe num tribunal em defesa de Fernando Lopes Graça. 1938 No Diário, em 28 de Abril: "Na impossibilidade de escrever uma Cantata de Trabalho anticapitalista poderia tentar uma sinfonia com um quarto andamento coral contra o egoísmo e a favor da solidariedade." Em 12 de Novembro: "A Srª D. Elisa Pedroso diz-me que Salazar lhe pediu a opinião a meu respeito e que quando a ouviu favorável, perguntou: Este não tem mas? A Srª D. Elisa, que já tinha falado de outros, respondeu: Não. Este não tem mas. Salazar acrescentou: Pois podia ter. Tem valor suficiente para se lhe desculpar o mas. Mais acrescentou a Srª D. Elisa que lhe sentiu uma atracção pelo meu nome, uma insistência em mim, o que a encheu de alegria. Mal sabe esta minha excelente amiga que o sintoma é mais para alarmar do que para alegrar." 14 de Novembro: "Quis aqui dizer anteontem a propósito dos elogios de Salazar: Ai daquele para quem Torquemada Sorri." Termina a Rapsódia Portuguesa, para órgão, estreada pouco depois por Filipe Rosa de Carvalho, em Lisboa. 1ª audição da 2ª Sonata para violino e piano por Paulo Manso e Isabel Manso, em Lisboa. 1939 Termina a abertura sinfónica 1640, estreada por Pedro de Freitas Branco nas comemorações da independência, no ano seguinte. 1ª audição de Idilio por Leonor Viana da Mota e José Viana da Mota, na E.N; e de Noemi, sob a direcção de Hermínio do Nascimento, no Conservatório. 1940 Termina os Quatro Prelúdios para piano dedicados a Isabel Manso e por ela estreados neste mesmo ano, em Lisboa (ed. "Sasseti", juntamente com o Prelúdio dedicado a António Arroio e os dez dedicados a Viana da Mota). Primeira audição integral do Concerto para violino e orquestra, por Francisco Benetó e Pedro de Freitas Branco. 1941 1942 No dia 9 de Novembro sofre uma apoplexia. A sua primeira preocupação é que seja aposentado compulsivamente no Conservatório, por incapacidade física. Retoma os apontamentos da 3ª Sinfonia. Primeira audição do Sonho Oriental por Marina Dewander Gabriel e F. Lopes Graça, em Lisboa. Publicação de História Popular da Música (ed. "Cosmos") 1943 Publicação da Vida de Beethoven (ed. "Cosmos"). 1944 Começa a trabalhar na 4ª Sinfonia. Primeira audição em Nova Iorque da 2ª Sinfonia, dirigida por Arthur Judson. 1945 Pedro de Freitas Branco dirige em Marselha o poema sinfónico Depois duma leitura de Antero de Quental. (Neste período, PFB interpreta várias vezes música do irmão no estrangeiro, nomeadamente Os Paraísos Artificiais em Birmingham, Manchester e Londres.) Como todos os portugueses progressistas, LFB tem esperança de que o fim da guerra precipite a queda do regime salazarista. Por desgraça, o acontecimento não se dará em sua vida. 1947 A convite do British Council desloca-se a Edimburgo por ocasião do festival e é eleito representante dos delegados estrangeiros junto da organização. Encontro com Bruno Walter, que lhe fala de seu irmão. Relativamente à sua situação no Conservatório, é elucidativa a seguinte informação escrita pelo punho de LFB na proposta para sócio da Juventude Musical Portuguesa, em 1949 : "A licença ilimitada publicada no "D. do G." de 7-XI-1947, aparentemente solicitada, foi compulsiva." Termina as Variações e Fuga Tríplice sobre um tema original, para orquestra de corda e orgão, dedicadas a Maria da Graça Amado da Cunha. Primeira audição da 3ª Sinfonia por Pedro de Freitas Branco, em Lisboa. Marina Dewander Gabriel interpreta as Quatro Melodias para canto e piano em Paris. Publicação de A personalidade de Beethoven, livro dedicado a Bento Caraça (ed."Cosmos") e da conferência sobre A Música de Teatro em Portugal ( em A Evolução e o Espírito do Teatro em Portugal (ed. "O Século"). 1948 Termina cinco Redondilhas sobre versos de Camões, quatro para coro feminino, a restante para coro masculino. No dia 1 de Junho morre o músico português que mais admirava e a quem prestou muita da sua importante colaboração : Viana da Mota. 1949 Primeira audição das Variações e Fuga tríplice, dirigidas por PFB, em Lisboa ; de A Ideia, por Arminda Corrêa e F. Lopes Graça, em Lisboa ; de La glèbe s'amollit, por Arminda Corrêa, na Emissora Nacional. Publicação de Chopin e Portugal (em Frederico Chopin, juntamente com F. Lopes Graça e Janusz Miketta, ed. "Vértice", Coimbra). 1950 Primeira audição de Vathek, sem a 3ª variação, por Joly Braga Santos, em Lisboa (A primeira audição integral só será dada em 1961, depois da morte do autor, por Álvaro Cassuto.) Primeira audição dos Três Sonetos de Maeterlinck por Maria Alice Vieira de Almeida e F. Lopes Graça, em Lisboa. Termina a música para o filme Frei Luís de Sousa, realizado por António Lopes Ribeiro. Aceita o convite para dirigir a Gazeta Musical, então fundada.Exercerá o cargo até 1953. Em 24 de Março morre sua mãe. 1951 O mesmo ofício dá conhecimento da "resolução ulterior" : " Em vista do sucedido, que sei ser verdade, pois V. Exª foi o próprio a admiti-lo, resolvo que a colaboração que V. Exª prestava na Emissora Nacional fique definitivamente anulada." Termina Cá nesta Babilónia, sobre o poema de Camões, para canto e piano ; e Oito Canções Populares Portuguesas, versão orquestral de parte das 27 canções de 1943. Escreve os primeiros compassos da partitura da ópera A Voz da Terra, que não chegará a terminar. Primeira audição de Despedida, por George Kobaladze e Pedro de Freitas Branco, em Lisboa ; e do primeiro dos Dez Madrigais Camonianos para coro misto, pelo Coro da Academia de Amadores de Música, dirigido por F. Lopes Graça. (A primeira audição integral só se dará em 1965, pelo Coro de Câmara Gulbenkian, dirigido por Olga Violante, no Festival Gulbenkian.) 1952 Termina a 4ª Sinfonia, em ré maior, dedicada a Joly Braga Santos, que só será estreada em 1956, por PFB, num dos concertos de homenagem póstuma realizados pelo Círculo de Cultura Musical, por iniciativa de Elisa Pedroso. Termina também o poema sinfónico Solemnia Verba (sobre o soneto de Antero) e a música para o documentário Algarve de Além-Mar, de António Lopes Ribeiro. Publicação do artigo Das ideias sobre a música em Portugal (ed. da revista "Vértice", Coimbra). 1954 Entretanto, vai ultimando o livro D. João IV Músico, encomendado pela Fundação da Casa de Bragança. (Veio a ser por esta publicado, postumamente, em 1956). 1955 No dia 12 de Janeiro sofre um grave colapso cardíaco. A convalescença é longa, assistida pelo seu dedicado médico Dr. Ernesto de Castro e Silva. Compreende o que fatalmente vai acontecer, diz a amigos que que já por duas vezes teve a sensação da morte e que de ambas foi uma sensação de alívio. Morre na madrugada do dia 27, na Rua do Século nº 79. |