Panorama musical em Portugal até ao séc XX Das origens ao século XIV
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Quando Portugal se constituiu como Nação Independente em 1140, já a música representava de há muito uma forma habitual de expressão e uma manifestação organizada de arte, moldada pelos cantos litúrgicos da Igreja, sobre múltiplos elementos de influência celta, bizantina, romana e, sobretudo, árabe. Assim durante o reinado do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, encontram-se numerosos mestres de capela ou capelães-mor nas principais cidades e conventos que foram também importantes centros de ensino musical, onde os laicos eram igualmente admitidos. |
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Paralela a esta
actividade musical da Igreja mas (tudo leva a crer) profundamente influenciada por ela,
deu-se em Portugal uma admirável floração das formas poéticas e musicais
trovadorescas, formas que consistiam em cantos acompanhados de instrumentos e
escritos pelos trovadores peninsulares num mesmo dialecto, o Galaico-Português.
Infelizmente, nenhum dos três Cancioneiros em que se encontra reunida toda a vastíssima
produção dos trovadores Portugueses (os Cancioneiro da Ajuda, da Biblioteca Nacional e
da Vaticana) nos comunica a música das cantigas; apenas se reproduzem nas belas
iluminuras alguns dos instrumentos então usados, quase todos de origem árabe, como o
alaúde, a rabeca, e o adufe. |
No célebre Auto do Fidalgo Aprendiz (1665), de D. Francisco Manuel de Melo, fala-se das trovas, do sapateado, do terolero, do vilão e do muchachim, ainda em voga no século XVII. Das danças trovadorescas portuguesas, a chacota e a folia, ambas de ritmo ternário, deram origem à chaconne e à folia, formas que Bach e Corelli viriam mais tarde a fixar para a posteridade. |