Entre
os impulsionadores deste movimento de renovação é figura relevante o compositor Luís de Freitas Branco (1890 - 1955). A sua acção, exercida através da obra
sinfónica e de câmara que compôs, foi também particularmente importante, do ponto de
visita pedagógico, junto das gerações mais jovens. Uma das suas primeiras obras Vathek,
poema sinfónico em forma de variações, datado de 1914, devido à sua extrema
modernidade só trinta e seis anos depois foi estreada. A ele se deveu o impulso
impressionista da música Portuguesa. A vasta obra produzida, em que o ciclo dedicado a
Antero de Quental ocupa lugar destacado, documenta a sua plena actualização e constitui
importante contributo para a cultura musical portuguesa, na primeira metade do século XX.
Rui Coelho (1892), compositor de tendências modernistas, dedicou
especial interesse à ópera. Reagindo contra o Italianismo então reinante, cultivou a
ópera de espírito nacional cantada em Português (Crisfal, Inês de Castro,
etc.), espírito que informou a sua obra sinfónica (Sinfonias Camonianas). Outro
compositor com obra modernista, e talvez o mais eclético dos compositores do seu tempo,
é Frederico de Freitas (1902). Na criação do bailado Português, com influência da
lição stravinskiana, teve lugar preponderante (Nazaré). No domínio da música pura tem
obras válidas como Quarteto Concertante.
Tendo recebido Influencia de Luís de Freitas Branco, começaram a
afirmar-se, no fim do primeiro quartel do século, três compositores que viriam a ter
lugar cimeiro: Armando Fernandes (1906), J. Corner de Vasconcelos (1910 - 1974) e Lopes
Graça (1906). Os dois primeiros revelaram cedo o fulgor da sua criação deixando obras
como Fantasia sobre temas populares. de Camões e coros a cappella sobre
poema de Rodrigues Lobo. de L. Graça; mas a actividade pedagógica a que se dedicaram
absorveu-os predominantemente. Foi Lopes Graça, que também beneficiou do contrato com o
meio parisiense, quem manteve regularidade na sua intensa e brilhante actividade criadora.
Abordou quase todos os géneros vocais e instrumentais e assume posição de relevo na
música Portuguesa contemporânea, devido ao interesse dedicado às virtualidades
melódicas, rítmicas e harmónicas da canção de raiz popular (Cantos Tradicionais
Portugueses da Natividade).
Noutro domínio de criatividade tem obras laureadas como Sinfonia per
Orchestra, História Trágico-Marítima, sob poemas de Miguel Torga. A cantata D.
Duados e Flérida foi estreado no teatro S. Carlos, em 1970, por ocasião das
comemorações de Almeida Garrett. Na geração seguinte impôs-se pela sua capacidade
criadora Joly Braga Santos (1924). Inicialmente continuador do neoclassicismo de Luís de
Freitas Branco, o seu expressivo sinfonismo assegurou-lhe projecção no País e no
estrangeiro. A obra 5 Sinfonia foi distinguida pelo Conselho Internacional de
Música (UNESCO), em 1969. O seu talento músico-dramático atingiu a melhor expressão em
Trilogia das Barcas sob texto vicentino, obra encomendada pela Fundação
Gulbenkian. Na actualidade um grupo de compositores mais jovens afirmou-se pela sua obra e
o caminho que percorre é de ascensão. Destacam-se: Filipe Pires, com obra galardoada em
concursos Internacionais; A. Vitorino de Almeida, Álvaro Cassuto que seguiam os ideais
estéticos do pós-guérra; Jorge Peixinho (1940) que desde as primeiras obras evidenciou
assimilação da música mais extremista. Além das expressões de carácter experimental
evidenciadas em Diafónica revela já amadurecimento em obras que se inserem nas
novas concepções da organização da linguagem sonora. |