Panorama musical em Portugal até ao séc XX

             Século XX - Intérpretes
                     

 

   Quanto aos intérpretes, depois da famosa cantora Luísa Todi (1753 - 1833) que no século XIX guindou o nome de Portugal, muitos alcançaram prestígio internacional ao longo do século XX. Artur Napoleão (1843 - 1925) e Óscar da Silva (1870 - 1958) foram pianistas de mérito mas o maior pianista Português de sempre e figura de extraordinário relevo foi Viana da Mota (1868 - 1948) considerado um dos melhores interpretes de Bach e de Liszt, do qual recebeu lições. Na direcção de orquestra notabilizaram-se: Francisco de Lacerda (1869 - 1934), que dirigiu cursos na Schola Cantorum de Paris, concertos inesquecíveis em Nantes e foi convidado para dirigir os célebres Bailados Russos, de Diaghilew, tendo declinado o convite; Pedro de Freitas Branco (1896 - 1963), internacionalmente distinguido pelas suas modelares interpretações de Ravel, Richard Strauss e Manuel de Falla, foi um dos maiores directores de orquestra da sua época. No canto tiveram projecção na primeira metade do século, a soprano Maria Augusta C. Cruz (1869 - 1901), os irmãos António de Andrade (1854 - 1942) e Francisco de Andrade (1859 - 1921) e Tomás Alcaide (1901 - 1967). Guilhermina Suggia (1878 - 1950) , brilhantíssima executante de violoncelo, com notável carreira internacional que a classificou entre as melhores do seu tempo.
   Na geração de músicos que se afirmaram depois de meados do século sobressaem: os pianistas Sequeira Costa, Helena Moreira de Sá e Maria João Pires; os violinistas Leonor de Sousa Prado, Vasco Barbosa, Antonino David; os directores de orquestra Silva Pereira, Álvaro Cassuto, A. de Almeida; os compositores Luís Filipe Pires e Jorge Peixinho.
   A vida musical Portuguesa reanimou depois dos anos 60. Organismos como o Teatro de S. Carlos promoveram concertos e festivais que atraíram a atenção do público interessado. A par da acção oficial desenvolveu-se e iniciativa privada, através de associações várias (Sociedade de Concertos, Círculo de Cultura Musical , Academia dos Amadores de Música, Juventude Musical Portuguesa, etc.). Desde o início da sua actividade, a Fundação Calouste Gulbenkian tem dado forte incentivo à vida musical. Criou uma orquestra de câmara, um coro e tem promovido realização de festivais e concertos, com artistas internacionais, edição de discos com obras de antigos compositores, concessão de bolsas de estudo para o estrangeiro, cursos de iniciação musical, etc. A rádio e a televisão têm dado contributo à divulgação de obras de compositores nacionais e estrangeiros.